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Carreira - É preciso se transformar com frequência

Como avançar na carreira?
É preciso se transformar com frequência

Whitney Johnson estava no auge da carreira como analista de investimentos quando percebeu que sua profissão já não a satisfazia. Quando conversou com o chefe para ganhar novos desafios, recebeu um não. Resolveu então deixar a empresa para empreender. Hoje, Whitney é autora de quatro livros, como o best-seller Disrupt Yourself, está entre os dez melhores pensadores de gestão pela prestigiada lista da Thinkers50, e é CEO da Disruption Advisors.

Não foi a primeira vez que Johnson ousou em sua carreira: com graduação em música, iniciou sua trajetória como secretária em Wall Street. Ela compreendeu as rupturas que aconteceram durante suas mudanças quando leu The Innovator's Dilemma, de Clayton Christensen, com quem trabalhou por um período. A teoria defende que existe um mecanismo para explicar porque alguns produtos deixam outros obsoletos, abalando segmentos completos do mercado.

O insight de Johnson foi que disrupções também acontecem com pessoas. A diferença é que na "disrupção pessoal" você é o disruptor e o incumbido, enquanto em negócios, o disruptor usualmente é outra empresa ou produto.

Em conversa exclusiva, Johnson compartilhou a essência de suas ideias, o que deveríamos saber para transformar nós mesmos e as oportunidades que surgiram com a pandemia.

Sobre a Curva S: “Esse é um tradicional conceito de negócios, que eu reimaginei como uma curva de aprendizado e explica muito bem como uma pessoa evolui na carreira e na vida. A base do S é o momento em que você começa algo novo, quando a evolução acontece, mas não é óbvia, e o tempo corre devagar. Por isso, é normal se sentir desencorajado e impaciente nessa etapa. Quanto mais você se esforça, mais aprende. Então, a competência se transforma em autoconfiança e a curva acelera. Ao contrário da partida, quando parece que estamos parados, tudo acontece em um curto espaço de tempo. Até que chegamos à fase de seniorização, em que a curva achata novamente. Como você não está mais aprendendo, pode se entediar. Nessa etapa, é preciso tomar uma decisão: ficar onde está e arriscar que o topo se torne seu precipício, ou ser disruptivo e seguir para uma nova curva. Quando decidi largar meu emprego para empreender, eu sabia que precisaria embarcar em uma nova curva S.”

Procure problemas que ninguém está olhando: "Quando eu trabalhava em Wall Street, meu chefe foi demitido, e fui colocada de lado. Basicamente, eu não tinha um emprego, porque já existia uma pessoa naquela função. Isso é o risco competitivo, quando você compete, por exemplo, para uma vaga com centenas de candidatos. Pela disrupção, você precisa ter disposição para fazer o que ninguém está fazendo. Pode ser incerto se existe, de fato, uma oportunidade, mas você não terá competição. O que devemos fazer é procurar os problemas que ninguém está resolvendo."

Foque no que você é bom: "Não é raro querermos algo aparentemente difícil por acharmos impressionante. Mas nossa maior contribuição é atuar naquilo que somos bons. Foque em algo difícil dentro do que parece instintivamente fácil para você."

Risco é uma via de mão dupla: "Quando pulamos para uma nova curva S no trabalho, assumimos um novo risco – que também é assumido pelo empregador, afinal, ele não tem como ter certeza de que você está apto para desempenhar a nova função. Então, você deve deixá-lo seguro. Se pulou para um novo mercado, é capaz de falar a língua desse setor? Se está desempregado, está disposto a dar um passo para trás? Talvez seu salário seja menor, mas é o que vai colocar você no outro lado da porta para construir o futuro. Isso requer humildade, o que não é fácil."

Sobre o alto desemprego no Brasil e a mudança de mentalidade: "Ser demitido é desmoralizante e um baque na confiança. Por isso, a primeira coisa a se fazer é reprogramar como pensamos para não seguir esse caminho. Se você é um programador, não diga que está se tornando ou foi um. Diga que você é, e as pessoas vão enxergar você nessa posição. A maior disrupção que podemos fazer é na nossa mentalidade."

A pandemia e o grande reset: “A pandemia gerou muitas disrupções pessoais porque mudou como pensamos sobre o trabalho e abriu um atalho para outra curva S. Agora, quando são abordados por empresas, profissionais estão questionando se é o que querem construir para a vida. Em vez da grande resignação, deveríamos chamar esse momento do grande reset.”